domingo, 22 de novembro de 2009

Histeria coletiva...

Nessa semana, fui correndo a BH, na quinta, pro aniversário do meu sobrinho e voltei, no sábado, pra SL. Compromissos de mãe... de manhã, levar a filha a uma mostra cultural na escola e, à tarde, levá-la ao ensaio de dança. No fim do dia, resolvemos ir ao cinema, ver "Lua Nova", continuação de "Crepúsculo", mega sucesso adolescente que corresponderia, nos anos 80, em termos de audiência, a filmes como "Vidas sem rumo" (que lançou um monte de galãs) , "Curtindo a vida adoidado" (com Matthew Broderick), "Beth Balanço" ou "Rock Estrela" (para citar também sucessos brasileiros).

Chegamos ao cinema aqui da cidade meia hora antes das 18 h, na maior calma, e demos de cara com uma fila gigante. Era pra comprar ingressos pra sessão das 20h30. Socorro! Desistimos, é claro. Do lado de fora, espantada, eu ouvia a gritaria geral dentro da sala do cinema e só me veio um comentário à cabeça: será que instalaram uma montanha russa aí dentro ??????

Bom... a Gi ficou inconsolável e eu, como toda mãe que se sente no direito de mimar sua filha às vezes, combinei com ela que, no dia seguinte, voltaríamos com umas 2 h de antecedência para comprar os ingressos com calma e pegar um bom lugar lá dentro.

Hoje, às 13h30, já estávamos novamente na esquina do cinema, depois de termos passado a manhã na Serra de Santa Helena, num evento da Faculdade. Quando fui me aproximando da rua, custei a crer no que os meus olhos me mostravam.

Se eu havia ficado chocada com a histeria da meninada na fila de "Lua Nova", o que dizer da multidão de "popozudas" e "manos" que se aglomerava do outro lado da rua, na Praça Dom Carlos Carmelo Motta? O senhor que deu nome a essa praça era meu tio avô e foi cardeal. Sim, um homem santo, se é que esses dois títulos podem ser ostentados conjuntamente... Pensei na hora que se ele estivesse vivo e presenciasse uma coisa dessas ficaria penalizado e, rapidamente, faria um "em nome do pai".

Sinceramente, deu um desânimo absurdo. Meninos e meninas saindo do gueto, dominando o centro da cidade... pra balançar o "popozão"até o chão????? Onde será que isso vai parar... Acho que nem vai...O evento em questão era uma abominável competição de carros de som, causadora de uma zoeira infernal, num sol de 40 graus. E aquele povo lá, rebolando, bebendo todas, fazendo coreografias que nos levam a questionar: hommo sapiens? Onde???

E eu lá na fila acompanhando a Gi, com uma sombrinha que, por sorte, achei no carro e eis que chega a polícia. Vários carros, motos, policiais com cacetetes e até armas de fogo penduradas nos ombros. Um deles me fala que seria melhor tirar meu carro alí da rua, porque essa baderna poderia ficar fora de controle e provocar uma depredação geral! Eu, temerosa e obediente, coloquei a Gi dentro do cinema, a salvo, e fui lá levar meu carrinho, adquirido com tanto suor, pra bem longe daquela guerra de baixaria e descaso...

Finalmente, entramos na sala de cinema. Ar condicionado, pipoca, refri, belos atores na telona, uma história meio surreal de vampiros e lobisomens, a melancolia das possibilidades - impossibilidades de amores adolescentes e nova gritaria geral. Ah, entendi os gritos...eles ocorrem bem na hora em que os fofos dos personagens Jacob e Edward tiram a camisa, exibindo a boa forma. Jacob, o lobisomem, recebe mais gritos, porque é musculoso, bronzeado. Ganha a preferência das meninas ligadas num físico bem esculpido. Já Edward, o vampiro, arranca alguns suspiros das mais cerebrais, pois é muito pálido e magro, mas carrega um rosto lindo e aquele charme típico dos seres perturbados, errantes... (eu, pessoalmente, suspirei pelo Edward...).

Bom, enquanto o filme passava na tela, pensei sobre toda aquela cena "dantesca"que presenciei do lado de fora do cinema. Como mãe, preocupada com tudo e todos, atingiu-me uma onda de pavor. Esse povo não percebe? Não vêem que essa m...(sorry) é apenas uma releitura mil vezes mais atrasada daquela história de "pão e circo" pra anestesiar as classes economicamente excluidas? O pão de hoje é a cerveja, são as drogas. O circo é esse funk de dar medo, esse pagode com músicas de corno ou pegador, ou mesmo o axé burrinho, cheio da alegria vazia de gente que só pensa em pular que nem pipoca. Desculpem-me, mas tudo isso é um grande lixo. Se a gordura entope as artérias da gente e pode levar à morte, todo esse entretenimento boçal que congestiona a nossa mente não parece ter efeito diferente.

E é incrível, mas ninguém faz nada...as "autoridades públicas" apoiam indiretamente a bandalheira, liberando ($$$$) o espaço, deixando de investir em educação e cultura, desviando recursos para benefício próprio. A polícia fica de prontidão pra descer o cacete, mas, de fato, veio pra bater papo e conferir a agitação. Os pais e mães desses meninos não tão nem aí (filhinha, desce até talo pros convidados verem... filho, tu fica macho mesmo cantando que vai detonar as cachorras, a sua irmã incluída...) e a elite da cidade evita sair às ruas ou passar pelo local, nesses dias de barbárie...prefere ir gastar sua grana em BH, no shopping. Quanto aos adolescentes do cinema, a situação não é muito diferente, filhinhos e filhinhas de mamãe/papai todos empetecados, cheios de luxos, vontades e manias, fazendo os pais de serviçais...Então tá...

De um lado, um bando de adolescentes fanáticos por rostinhos bonitos devidamente editados e por uma história surreal, que não faz parte desse planeta em que vivemos. Vazio...Seres apáticos, vivendo de ilusão, trancados em seu mundinho, sem refletir sobre sua realidade, sem pensar em mudá-la.

Do outro lado, um bando de adolescentes fanáticos pulando em cima de carros que vomitam um barulho que, com certeza, só pode ser a trilha sonora do inferno. Enquanto mexem o esqueleto, esvaziam o cabeça, viram alvo fácil pras drogas, pra pobreza e desiguldade econômica, pra gravidez irresponsável. Vazio...seres apáticos, vivendo de ilusão, trancados em seu mundinho, sem refletir sobre sua realidade, sem pensar em mudá-la....

Quanto à educação que dou pra minha filha, não quero que ela viva numa "torre de marfim", que ela se transforme em uma "intelectualóide", mergulhada num mundo cheio de refinamentos teóricos e estéticos. Quero que ela viva, que se exponha a tudo, mas que consiga refletir sobre o que vê e ouve, sabendo fazer suas escolhas. Assim, se ela optar pela anestesia... por viver de ilusão e isolamento, ao invés de pensar na coletividade e na qualidade das mensagens que recebe, pelo menos que seja por convicção e não por falta de opção...

sexta-feira, 20 de novembro de 2009

Primeira velinha!

Parabéns Rafa !!!!

Um aninho!!!

terça-feira, 17 de novembro de 2009

Clube do filme só para mulheres - parte 2


Across the universe.

Eu e Gi diante do DVD, para mais um filme. Escolhi "Across the Universe" porque achei que seria uma forma interessante de mostrar pra ela um pouco do repertório dos Beatles. Parece que acertei...ela adorou saber, por exemplo, que todos os personagens do filme tinham a ver com músicas dos "fab four".

Além disso, ela pôde sentir as possibilidades de fusão entre música, pintura, teatro e cinema, graças ao elogiado trabalho da diretora Julie Taymor, a mesma do belo filme "Frida".

Quanto à Gi, ela fez comentários como:
- mãe, esse filme é tão lindo que parece um quadro! Ou
- Nossa, essa música ajuda a contar a história do filme direitinho.

Também conseguiu enxergar os momentos históricos abordados no filme, como a guerra do Vietnã, a luta contra o preconceito racial, os movimentos estudantis e a geração flower power. Expliquei pra ela coisas complexas, como o que é psicodelia, pois a estética do filme ajuda.

Ela se encantou com "Across the Universe" e nosso clube segue em frente!

O comentário....Luz Negra



Aproveitando a vinda da Fernanda Takai para o Projeto Sempre um Papo, comprei o novo DVD dela. Ah, li o livro também... e acabei rapidinho, de tão agradável.

O show, por sua vez, vale o ingresso. Fernanda vai costurando o repertório. Há clássicos como "Luz Negra" - de Nelson Cavaquinho, "Com açúcar, com afeto" - de Chico Buarque, "Insansatez" - de Tom e Vinícius. Há também uma versão em japonês de "O Barquinho" - de Bôscoli e Menescal. Bossa-nova totalmente revisitada by Fernanda Takai.

Tudo isso combinado com belas incursões pelo universo pop, em músicas como "There Must Be An Angel", do Eurythmics, "Ordinary World", do Duran Duran e "Ben", famosa na voz de Michael Jackson.


Já a faixa "5 Discos” é autoral, composta por ela e pelo marido John Ulhoa, e emociona pela simplicidade, com uma batida que é a cara deles.


Com "Sinhá Pureza" ela encerra o espetáculo, resgatando a riqueza musical do norte do país. Fernanda Takai é pura leveza, charme, e viaja à vontade pelos ritmos, acompanhada por um time afiado de músicos. Ah, e tem o fantástico cenário do Fernando Maculan, um arquiteto de primeira que dividiu comigo as carteiras da escola durante o ensino infantil. Naquela época já dava pra intuir que esse menino ia longe!

Revendo pessoas....

Eu, Thiago e Beto, no evento Brasil tem Jeito!
Revendo um amigo dos tempos da escola e ganhando CD autografado!

sábado, 14 de novembro de 2009

Duas garotas...


(Só tendo uma Gi em casa pra saber como eu sou uma garota de sorte!).

- Mãe!
- Oi filha.
- Você sabe que lugar é esse, só de olhar o formato?
- É o Brasil, não?
- Errou, é a Bahia, um minibrazilzinho....


- Mãe!
- Quê filha?
- Como eu faço pra ficar brava com o meu pai?
- Por quê, gente?
- Ele resolveu que a nossa viagem pra Disney vai ser maior e eu não vou chegar pro seu aniversário.
- Ah deixa pra lá, Gi, a gente ainda vai ter tantos, olha pelo lado bom, viajar e tal...
- Não, mãe, tem coisas que não dá, mas olhando pelo lado bom, ano que vem pelo menos seu presente vai vir dos States!

- Mãe!
- What´s up baby?
- Tava pensando aqui, você falou que ano que vem vai mudar um monte de coisas e tal.
- É.
- Tá com uns planos aí, né?
- Sim.
- Então, porque quer fazer mais uma tatuagem, não tá bom de mudança?
- Vou fazer uma agora pra te homenagear.
- Eu não quero homenagem, mãe.
- Pequena, Gi, aqui no pulso ó...
Minutos depois... ela senta na minha cama, com uma caneta na mão e começa a desenhar na perna.
- Quê isso Gi?
- Tô fazendo tatuagens, e não vou mais tomar banho, vai ficar assim.
- Isso mesmo, tatuagem é pra sempre.
- Mãe, e se de repente eu não for mais sua filha? E a tatuagem?
- Hahaha...não dá, você vai ser sempre minha filha.
- E se você descobrir que me trocaram na maternidade, e você tem outra filha que não sou eu?
- Não tem problema, você continua minha filha.
- E a outra?
- Fico com as duas.
- Gi, deixa eu fazer uma tatuagem de caneta aí no seu ombro.
- Tá.
- Quê que você fez?
- Não sei, acho que é uma mandala, sei lá.
- Deixa eu ir ver no espelho, peraí.
- Ficou bonito, mãe.
E Gi dá o assunto por encerrado e sai do quarto, senta tranqüilamente no computador, com a perna e o ombro todo rabiscados, feliz da vida....

- Filha!
- Quê mãe!
- Você não me ama mais, né?
- Mãe! Eu te dei presente hoje e deixei você brincar comigo no computador, como assim?
- Você não me ama, pode falar!
- Ai mãe, você é tão criancinha...

- Mãe?
- Hum...
- Posso dormir aqui na sua cama?
- Por quê?
- Foi o filme, aquele Herois, que a gente viu, deu medo.
- Ué, nem era de terror...
- É que eu acho que pior que monstro é alguém conseguir controlar a nossa mente.
- Deita aí filha, você tem razão.

- Mãe!
- Que foi?
- Vem ver essa Melissa aqui no site (pela milésima vez!)
- Linda né? Mas o salto é muito alto pra você. Só quando você for adolescente.
- Até quantos centímetros eu posso usar?
- Ah, num sei, uns três.
- Essa tem cinco né, é pra adolescente, e eu tenho 10 anos ainda.
- É, só dá pra usar quando for adolescente mesmo.
- Mãe, sabia que com 11 anos a gente já vira adolescente?
- ????? hahahaha....(vai dar trabalho).

sexta-feira, 13 de novembro de 2009

Logo eu comento!

Foto retirada do site www.fernandatakai.com.br

pra você ver...





http://climerioferreira.sites.uol.com.br/










Uma
espécie
de
oração...

Palavras suaves, assumida alegria em existir.
Fome de calmaria, de acordar por dentro e anoitecer anseios.
Confiança no amor, no bem que ele faz.
Abraços sinceros, amigos no colo, uma canção.
Saudar os instantes, chamar as crianças, silenciar a oração.
Não importam os deuses ou saber quem nos salvará.
Vale é a vida, tratar de arrumar um jeito bom de vivê-la.
F.

terça-feira, 10 de novembro de 2009

Estreia do Programa Promove Diversidade



Novas experiências! Aprendendo a fazer TV!
http://promovediversidade.blogspot.com

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